Inventário de Emissões de GEE: Guia Prático em 5 Etapas para Empresas

Inventário de emissões de GEE para empresas

Aprenda como fazer um inventário de emissões de GEE, entenda os Escopos 1, 2 e 3 do GHG Protocol e veja como iniciar a descarbonização.

O inventário de emissões de GEE é uma das principais ferramentas para empresas que desejam compreender sua pegada de carbono, identificar fontes relevantes de emissão e transformar a agenda climática em decisões concretas de gestão.

Na prática, o inventário organiza e quantifica as emissões de gases de efeito estufa de uma organização. Ele permite saber quanto a empresa emite, de onde vêm essas emissões e quais atividades devem ser priorizadas em uma estratégia de descarbonização.

Essa análise vai muito além de uma pauta ambiental. As emissões podem estar relacionadas a consumo de combustíveis, energia elétrica, logística, fornecedores, viagens, resíduos, processos industriais e até ao uso e descarte dos produtos vendidos pela empresa.

O material da SustenPulse “Desmistificando as Emissões de GEE: Do Inventário ao Valor de Mercado” organiza esse caminho desde o contexto climático até a construção de um inventário, a compreensão dos Escopos 1, 2 e 3 e o uso dessas informações na estratégia empresarial.

Neste artigo, você vai entender como fazer um inventário de emissões de GEE, quais são as diferenças entre os três escopos do GHG Protocol, quais erros precisam ser evitados e como transformar os dados de carbono em informações úteis para o negócio.

O que são emissões de GEE?

GEE é a sigla para gases de efeito estufa, gases presentes na atmosfera capazes de absorver e reemitir radiação e que participam do efeito estufa.

Entre eles estão o dióxido de carbono (CO₂), o metano (CH₄), o óxido nitroso (N₂O) e diferentes gases fluorados.

Como esses gases possuem capacidades diferentes de contribuir para o aquecimento global, as emissões podem ser convertidas para uma unidade comum chamada CO₂ equivalente, ou CO₂e.

Isso permite que uma empresa consolide diferentes gases em um mesmo inventário e compreenda melhor sua contribuição para as mudanças climáticas.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, IPCC reúne a avaliação científica internacional sobre as mudanças climáticas, seus impactos, riscos e possibilidades de mitigação. O Sexto Relatório de Avaliação concluiu que as atividades humanas causaram inequivocamente o aquecimento global e que a temperatura média da superfície global alcançou cerca de 1,1 °C acima do período de 1850 a 1900 na década de 2011 a 2020.

Para as empresas, isso ajuda a explicar por que emissões deixaram de ser apenas um indicador ambiental e passaram a fazer parte das discussões sobre riscos, eficiência, cadeia de suprimentos, investimentos e competitividade.

O que é um inventário de emissões de GEE?

O inventário de emissões de GEE é o levantamento estruturado das fontes de gases de efeito estufa relacionadas às atividades de uma organização durante determinado período.

Ele funciona como um diagnóstico climático da empresa.

Em vez de simplesmente afirmar que uma operação possui impacto ambiental, o inventário procura responder perguntas objetivas:

  • Quais atividades geram emissões?
  • Quanto cada atividade representa?
  • Quais emissões são diretas?
  • Quais estão relacionadas à energia adquirida?
  • Quais acontecem na cadeia de valor?
  • Onde existem oportunidades de redução?
  • Quais dados podem ser acompanhados ao longo dos anos?

O inventário também cria uma linha de base para futuras metas de redução.

Sem saber quanto e onde se emite, é difícil decidir quais projetos de descarbonização realmente merecem prioridade.

GHG Protocol: a base para organizar um inventário de emissões

Uma das principais referências internacionais utilizadas para contabilizar emissões corporativas é o Greenhouse Gas Protocol, conhecido como GHG Protocol.

O GHG Protocol fornece padrões e orientações para que empresas e organizações contabilizem e gerenciem suas emissões de gases de efeito estufa. Seu Corporate Standard é amplamente utilizado internacionalmente para inventários corporativos.

Uma das contribuições mais conhecidas dessa metodologia é justamente a divisão das emissões em Escopo 1, Escopo 2 e Escopo 3.

Essa classificação ajuda a separar aquilo que acontece diretamente dentro da organização daquilo que ocorre por causa da energia comprada ou ao longo da cadeia de valor.

Além disso, um inventário de qualidade precisa seguir princípios que aumentem sua utilidade e confiabilidade.

Relevância

O inventário deve representar de maneira adequada as emissões relacionadas às atividades e decisões da organização.

Integridade

As fontes relevantes não devem ser omitidas apenas porque são mais difíceis de calcular.

Consistência

Os critérios adotados precisam permitir comparações ao longo do tempo.

Se a metodologia for alterada, a organização deve avaliar como essa mudança afeta sua série histórica.

Transparência

Premissas, fontes de dados, critérios e limitações precisam ser documentados de maneira clara.

Exatidão

A contabilização deve buscar reduzir erros, vieses e incertezas dentro dos limites tecnicamente possíveis.

Esses princípios são essenciais porque um inventário não deve servir apenas como peça de comunicação. Ele precisa funcionar como informação de gestão.

Escopo 1, 2 e 3: entenda onde estão as emissões da empresa

A divisão dos escopos é um dos pontos mais importantes para compreender um inventário de emissões de GEE.

Escopo 1: emissões diretas da empresa

O Escopo 1 reúne emissões provenientes de fontes que pertencem ou são controladas diretamente pela organização.

Em outras palavras, são emissões geradas dentro do perímetro operacional sob responsabilidade da empresa.

Alguns exemplos são:

  • combustíveis utilizados em caldeiras;
  • combustão em geradores;
  • combustíveis consumidos por veículos da frota própria;
  • processos industriais;
  • vazamentos de gases refrigerantes;
  • determinadas emissões de equipamentos e instalações.

Imagine uma indústria que utiliza gás natural para aquecer uma caldeira.

A combustão ocorre em um equipamento controlado pela própria empresa. Portanto, as emissões relacionadas a essa atividade são classificadas no Escopo 1.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao diesel utilizado em caminhões pertencentes à organização.

Escopo 2: emissões relacionadas à energia adquirida

O Escopo 2 trata das emissões indiretas relacionadas à energia adquirida pela organização.

O exemplo mais comum é a eletricidade comprada da rede.

A empresa não necessariamente gera a eletricidade dentro de suas instalações. Entretanto, seu consumo cria demanda por geração de energia, que pode estar associada a emissões.

O GHG Protocol possui uma orientação específica para contabilização dessas emissões e considera, além da eletricidade, determinadas formas de energia adquirida como vapor, calor e resfriamento.

Para muitas empresas, trabalhar o Escopo 2 pode abrir discussões sobre:

  • eficiência energética;
  • redução de consumo;
  • modernização de equipamentos;
  • contratação de energia;
  • geração própria;
  • fontes renováveis.

Escopo 3: emissões da cadeia de valor

O Escopo 3 costuma ser o mais complexo.

Ele abrange outras emissões indiretas relacionadas às atividades da organização, mas que acontecem em fontes que não pertencem nem são diretamente controladas pela empresa.

Podem aparecer tanto antes quanto depois da própria operação.

Alguns exemplos incluem:

  • matérias-primas e serviços comprados;
  • transporte realizado por terceiros;
  • viagens corporativas;
  • deslocamento de colaboradores;
  • resíduos gerados nas operações;
  • distribuição de produtos;
  • uso de determinados produtos vendidos;
  • tratamento e descarte no fim da vida útil;
  • diferentes atividades relacionadas à cadeia de valor.

O Corporate Value Chain Standard do GHG Protocol foi desenvolvido especificamente para apoiar a contabilização e o reporte dessas emissões ao longo da cadeia de valor.

Para algumas organizações, o Escopo 3 pode revelar impactos que não aparecem quando a análise fica restrita às instalações físicas da empresa.

Qual escopo é mais importante?

Não existe uma resposta única.

A relevância depende da atividade econômica, da estrutura da operação e da cadeia de valor.

Uma indústria com processos intensivos em combustíveis pode encontrar grande parcela de seu impacto nos Escopos 1 e 2.

Já empresas de serviços, varejo ou tecnologia podem ter uma participação significativa concentrada na cadeia de fornecedores, logística, serviços contratados e outras categorias de Escopo 3.

Por isso, copiar o inventário de outra empresa não funciona.

O objetivo é descobrir onde está o impacto da sua própria organização.

Assista à aula: Desmistificando as Emissões de GEE

Para aprofundar o tema, assista à aula da SustenPulse sobre inventário de emissões, GHG Protocol, Escopos 1, 2 e 3 e os impactos do carbono na estratégia empresarial.

Como fazer um inventário de emissões de GEE em 5 etapas

Um inventário confiável exige método.

O processo pode variar conforme o tamanho da organização e a complexidade das operações, mas existem cinco etapas que ajudam a estruturar o trabalho.

1. Defina os limites do inventário de emissões de GEE

Antes de calcular qualquer emissão, é necessário decidir qual é o perímetro do inventário.

Isso envolve limites organizacionais e operacionais.

Nos limites organizacionais, a empresa define quais operações, unidades, participações e ativos serão considerados segundo a abordagem adotada.

Entre as possibilidades abordadas pelo GHG Protocol estão abordagens relacionadas a:

  • controle operacional;
  • controle financeiro;
  • participação societária.

Essa decisão é importante porque duas empresas que utilizam critérios diferentes podem chegar a perímetros diferentes mesmo participando de operações semelhantes.

Depois vêm os limites operacionais, que ajudam a organizar as fontes nos Escopos 1, 2 e 3.

O objetivo dessa etapa é responder:

quais emissões pertencem ao inventário que será construído?

2. Identifique todas as fontes relevantes de emissão

Depois de estabelecer os limites, a organização precisa mapear suas fontes.

Esse levantamento pode incluir combustíveis, eletricidade, gases refrigerantes, processos produtivos, transporte, viagens, resíduos, matérias-primas, fornecedores e outras atividades.

É nessa etapa que muitas lacunas começam a aparecer.

Uma empresa pode conhecer perfeitamente seu consumo de eletricidade, mas nunca ter analisado:

  • vazamentos de gases refrigerantes;
  • consumo de combustíveis por unidade;
  • transporte terceirizado;
  • deslocamentos;
  • resíduos;
  • emissões relacionadas às compras.

O mapeamento precisa ser suficientemente amplo para evitar uma fotografia artificialmente pequena da pegada de carbono.

3. Colete dados de atividade e evidências

O cálculo das emissões depende de dados.

Esses dados podem vir de documentos e registros como:

  • contas de energia elétrica;
  • notas fiscais de combustíveis;
  • registros de abastecimento;
  • faturas;
  • relatórios operacionais;
  • informações de fornecedores;
  • registros de quilometragem;
  • comprovantes de viagens;
  • controles de resíduos;
  • sistemas de gestão.

Quanto melhor a qualidade dos dados, melhor tende a ser a qualidade do inventário.

A rastreabilidade também é importante.

Não basta colocar um número em uma planilha. É recomendável conseguir explicar de onde aquele número veio.

4. Calcule e consolide as emissões

Com os dados organizados, começa o cálculo.

De forma simplificada, muitos cálculos relacionam um dado de atividade a um fator de emissão correspondente.

Por exemplo, determinada quantidade de combustível consumido pode ser convertida em emissões com o fator adequado àquele combustível e contexto.

Depois, os diferentes gases podem ser expressos em toneladas de CO₂ equivalente utilizando os potenciais de aquecimento global correspondentes.

É justamente aqui que a qualidade metodológica se torna crítica.

Utilizar fatores inadequados, desatualizados ou incompatíveis com o contexto pode alterar o resultado.

Por isso, a empresa precisa registrar:

  • fonte dos fatores;
  • período utilizado;
  • metodologia;
  • premissas;
  • conversões;
  • limitações;
  • critérios adotados.

O cálculo deve ser reproduzível.

Outra pessoa tecnicamente qualificada deve conseguir compreender como o resultado foi obtido.

5. Relate, analise e utilize os resultados

O trabalho não termina quando aparece o total de toneladas de CO₂e.

Na realidade, é aí que começa a parte estratégica.

Os resultados precisam ser analisados para identificar:

  • maiores fontes de emissão;
  • unidades mais intensivas;
  • atividades prioritárias;
  • oportunidades de redução;
  • dependências da cadeia de valor;
  • riscos de transição;
  • dados que ainda precisam melhorar.

A empresa também pode avaliar a conveniência de realizar uma verificação independente, especialmente quando o inventário for utilizado em reportes externos, compromissos climáticos ou processos que exijam maior confiabilidade.

Como fazer um inventário de emissões de GEE em cinco etapas

Os principais erros em um inventário de emissões de GEE

Um cálculo pode parecer tecnicamente sofisticado e ainda assim produzir uma visão distorcida da realidade.

Alguns erros merecem atenção especial.

Omitir fontes relevantes

Deixar de analisar uma fonte significativa pode subestimar a pegada de carbono.

Isso acontece principalmente quando a organização começa o processo olhando apenas para aquilo que é fácil de medir.

O Escopo 3 costuma exigir atenção porque envolve dados distribuídos por fornecedores, logística e outros participantes da cadeia.

Utilizar fatores de emissão inadequados

O fator de emissão precisa ser compatível com o dado de atividade e a metodologia utilizada.

Uma base genérica escolhida apenas por conveniência pode não refletir corretamente a atividade, tecnologia, combustível ou região analisada.

Trabalhar sem evidências

Estimativas podem ser necessárias em determinados casos, mas precisam ser claramente justificadas.

Construir todo o inventário com números sem documentos, registros ou critérios rastreáveis dificulta a revisão e reduz a confiabilidade.

Alterar critérios de um ano para outro

A comparação histórica é uma das principais utilidades do inventário.

Se a organização muda constantemente metodologia, limites ou premissas sem controlar essas alterações, pode parecer que as emissões aumentaram ou diminuíram quando, na verdade, apenas o cálculo mudou.

Tratar o inventário como uma peça de marketing

Um inventário não existe para produzir um número conveniente.

Seu valor está justamente em revelar onde estão os impactos e permitir que a organização tome decisões melhores.

Um resultado incompleto apresentado como retrato integral da empresa pode criar riscos de comunicação e acusações de greenwashing.

Inventário de GEE e greenwashing: qual é a relação?

Greenwashing ocorre quando a comunicação ambiental cria uma percepção mais positiva do que aquela sustentada pela realidade.

Um inventário mal construído pode contribuir para esse problema mesmo quando não existe intenção explícita de enganar.

Imagine uma organização que divulga forte redução de emissões, mas deixou importantes categorias fora da análise.

O número pode até estar matematicamente correto dentro daquela planilha, mas a mensagem apresentada ao mercado pode ser incompleta.

Por isso, a comunicação climática deve acompanhar alguns princípios:

  • deixar claro o perímetro considerado;
  • explicar quais escopos foram contabilizados;
  • registrar limitações;
  • evitar comparações incompatíveis;
  • apresentar metodologia;
  • manter evidências;
  • evitar alegações ambientais maiores do que os dados permitem.

Transparência fortalece a credibilidade.

Por que as emissões passaram a interessar também à área financeira?

Durante muito tempo, carbono foi tratado principalmente como assunto das áreas ambientais.

Essa separação está diminuindo.

Riscos climáticos podem afetar custos, investimentos, ativos, operações, financiamento e cadeias produtivas.

Além disso, padrões internacionais de divulgação corporativa estão aumentando a conexão entre sustentabilidade e informações financeiras.

A IFRS Foundation informa que o IFRS S2 prevê divulgação de informações sobre emissões de Escopo 1, Escopo 2 e Escopo 3 e utiliza o GHG Protocol como referência para mensuração.

Isso reforça uma mudança importante:

emissões podem ser informações relevantes para a análise do risco empresarial.

Como o carbono pode afetar o valor de uma empresa?

Não existe uma fórmula automática em que determinada quantidade de CO₂ reduza diretamente o valuation de toda empresa.

O impacto depende do setor, exposição regulatória, tecnologia, capacidade de adaptação, estrutura financeira e diversos outros fatores.

Ainda assim, existem caminhos pelos quais o carbono pode influenciar valor e risco.

Custos regulatórios

A implementação de sistemas de precificação de carbono pode gerar obrigações econômicas para atividades abrangidas pela regulamentação.

Ativos sujeitos à transição

Determinados equipamentos ou tecnologias podem perder competitividade diante de mudanças regulatórias, econômicas ou tecnológicas.

São discussões relacionadas aos chamados stranded assets, ativos que podem sofrer perda de valor antes do esperado.

Eficiência operacional

Reduzir emissões pode estar relacionado à redução de:

  • consumo energético;
  • combustíveis;
  • perdas;
  • desperdícios;
  • materiais;
  • resíduos.

Nesse cenário, carbono funciona como mais um indicador capaz de revelar ineficiências.

Cadeia de fornecedores

Empresas que precisam reduzir suas próprias emissões de Escopo 3 podem começar a exigir mais informações dos fornecedores.

Consequentemente, conhecer a própria pegada pode se tornar relevante também para organizações que vendem para grandes empresas.

Mercado de carbono no Brasil e o SBCE

O Brasil possui um sistema regulado de comércio de emissões instituído pela Lei nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024.

A legislação criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa, o SBCE.

O governo federal vem desenvolvendo sua implementação, que ocorre por fases. Em 2026, a estruturação do mercado regulado continua em andamento.

A legislação completa pode ser consultada no Portal da Legislação da Presidência da República.

Isso torna ainda mais relevante que empresas compreendam conceitos como:

  • mensuração de emissões;
  • dados verificáveis;
  • CO₂ equivalente;
  • monitoramento;
  • relato;
  • redução de emissões.

Nem toda empresa estará necessariamente submetida às mesmas obrigações. A aplicação depende da regulamentação, dos critérios e do enquadramento de cada atividade.

Ainda assim, desenvolver capacidade interna para medir emissões reduz a distância entre a empresa e uma economia cada vez mais orientada à gestão do carbono.

Créditos de carbono são a mesma coisa que inventário de GEE?

Não.

Essa diferença é importante.

O inventário de emissões de GEE mede e organiza as emissões relacionadas à organização.

Um crédito de carbono, por sua vez, está relacionado a uma unidade proveniente de redução ou remoção de emissões segundo regras e metodologias específicas.

Portanto, elaborar um inventário não significa automaticamente gerar créditos de carbono.

O inventário pode ajudar uma empresa a compreender sua pegada e estruturar uma estratégia climática, mas a geração de créditos exige requisitos próprios.

Descarbonização começa pela medição

Depois que a organização conhece suas emissões, pode estabelecer prioridades.

Uma estratégia de descarbonização pode incluir medidas como:

  • eficiência energética;
  • substituição de combustíveis;
  • eletrificação de processos;
  • contratação ou geração de energia renovável;
  • melhoria logística;
  • redução de resíduos;
  • redesign de produtos;
  • substituição de matérias-primas;
  • engajamento de fornecedores;
  • economia circular;
  • melhorias em equipamentos;
  • revisão de processos produtivos.

A sequência faz diferença.

Primeiro é preciso compreender a situação atual.

Depois, definir metas e projetos.

Por último, acompanhar se as ações realmente estão produzindo redução.

Como criar um inventário de emissões de GEE em 90 dias

O planejamento apresentado pela SustenPulse propõe uma estrutura dividida em três fases.

Dias 1 a 30: diagnóstico e definição de escopo

O primeiro mês pode ser utilizado para construir as bases do inventário.

As principais atividades são:

  • definir limites organizacionais;
  • estabelecer limites operacionais;
  • mapear fontes de Escopo 1;
  • mapear fontes de Escopo 2;
  • identificar categorias relevantes de Escopo 3;
  • envolver lideranças;
  • definir responsáveis;
  • preparar as pessoas que coletarão os dados.

Essa etapa evita começar pela planilha antes de entender o que realmente precisa ser medido.

Dias 31 a 60: coleta e cálculo

Com o mapa definido, começa a consolidação dos dados.

Nesse período, a empresa pode:

  • levantar dados de atividade;
  • organizar documentos;
  • verificar inconsistências;
  • selecionar fatores de emissão;
  • realizar os cálculos;
  • revisar evidências;
  • documentar as premissas;
  • consolidar os resultados.

Uma boa organização documental agora facilita futuras atualizações.

Dias 61 a 90: relato e estratégia

Na terceira fase, os resultados precisam se transformar em gestão.

Isso envolve:

  • consolidar o inventário;
  • preparar o relatório;
  • revisar a qualidade das informações;
  • avaliar verificação independente;
  • identificar maiores fontes de emissão;
  • estabelecer prioridades de redução;
  • definir indicadores;
  • preparar a comunicação.

O objetivo final não é apenas publicar uma tonelagem.

É criar uma base que possa ser comparada, atualizada e utilizada nas decisões seguintes.

Quais indicadores acompanhar depois do inventário?

Depois que a empresa conclui seu primeiro inventário de emissões de GEE, o acompanhamento pode se tornar mais estratégico.

Alguns indicadores possíveis são:

Emissões totais

Quantidade total de toneladas de CO₂ equivalente emitidas no período.

Emissões por escopo

Separação entre Escopo 1, Escopo 2 e Escopo 3.

Intensidade de carbono

Relaciona as emissões a algum indicador relevante para a organização.

Dependendo da atividade, pode ser analisada por:

  • unidade produzida;
  • receita;
  • área operacional;
  • funcionário;
  • tonelada transportada;
  • outra unidade coerente com o negócio.

Principais fontes de emissão

Identifica quais atividades concentram maior impacto.

Evolução anual

Compara o resultado ao longo do tempo utilizando critérios consistentes.

Progresso das iniciativas

Avalia se projetos de eficiência e descarbonização estão entregando os resultados previstos.

O inventário precisa ser feito todos os anos?

Para empresas que pretendem utilizar o inventário como ferramenta de gestão, a atualização periódica é importante.

Uma única medição fornece uma fotografia.

Uma série histórica permite enxergar o movimento.

Ao acompanhar os resultados ao longo do tempo, a organização consegue observar:

  • aumento ou redução das emissões;
  • efeito de novos projetos;
  • alterações operacionais;
  • crescimento da empresa;
  • mudanças na cadeia de fornecedores;
  • impacto de investimentos realizados.

Isso também torna as metas mais mensuráveis.

Perguntas frequentes sobre inventário de emissões de GEE

O que é um inventário de emissões de GEE?

É um levantamento estruturado das fontes e quantidades de gases de efeito estufa relacionadas às atividades de uma organização durante determinado período.

Para que serve o inventário de emissões de GEE?

Ele permite identificar as principais fontes de emissão, acompanhar indicadores, definir metas de redução, apoiar estratégias de descarbonização e melhorar a qualidade das informações climáticas utilizadas pela empresa.

O que são Escopo 1, 2 e 3?

O Escopo 1 reúne emissões diretas de fontes controladas pela organização. O Escopo 2 envolve emissões associadas à energia adquirida. O Escopo 3 contempla outras emissões indiretas relacionadas à cadeia de valor.

O que é o GHG Protocol?

É um conjunto de padrões e orientações internacionais para contabilização e gestão das emissões de gases de efeito estufa de empresas e outras organizações.

Toda empresa precisa calcular o Escopo 3?

A necessidade e extensão do cálculo dependem do objetivo do inventário, da metodologia utilizada, das exigências aplicáveis e da relevância das categorias para a organização. Entretanto, ignorar a cadeia de valor sem avaliá-la pode deixar impactos importantes fora da análise.

Inventário de GEE gera crédito de carbono?

Não automaticamente. Inventário e geração de créditos de carbono são processos diferentes. O inventário mede emissões organizacionais; créditos dependem de projetos, metodologias, critérios de elegibilidade e processos próprios de quantificação e validação.

Qual é a unidade utilizada no inventário?

Os diferentes gases são normalmente consolidados em toneladas de dióxido de carbono equivalente, ou tCO₂e.

Quanto tempo leva para fazer um inventário?

O prazo depende do porte da empresa, quantidade de unidades, disponibilidade dos dados e complexidade das fontes. Um planejamento inicial pode ser estruturado em aproximadamente 90 dias, mas organizações complexas podem exigir períodos maiores.

Uma PME pode fazer inventário de GEE?

Sim. Pequenas e médias empresas podem começar definindo claramente o perímetro, identificando as fontes mais relevantes e organizando os dados disponíveis antes de ampliar gradualmente a profundidade do inventário.

De medir emissões a criar uma estratégia climática

O inventário de emissões de GEE transforma um tema amplo como mudanças climáticas em informações que podem ser gerenciadas.

Ele mostra quais atividades emitem, qual é a relevância de cada fonte e onde a empresa precisa concentrar esforços.

O processo também cria uma base para discutir eficiência, fornecedores, investimentos, riscos, inovação e descarbonização com mais objetividade.

A pergunta deixa de ser apenas:

“Quanto carbono nossa empresa emite?”

E passa a incluir:

“Por que emitimos, onde estão os maiores impactos e o que podemos fazer a partir dessas informações?”

É justamente essa evolução, da medição para a gestão, que transforma o inventário em uma ferramenta empresarial.

Para conhecer outros conteúdos sobre sustentabilidade, ESG e gestão climática, acesse a SustenPulse.

Baixe o PDF completo: Desmistificando as Emissões de GEE

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